A produção agroflorestal dos Kaxinawá do Humaitá

Agentes Agroflorestais da TI Kaxinawá do Rio Humaitá recebem assessoria da CPI-Acre

A Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-Acre), em parceria com a Associação dos Povos Indígenas do Rio Humaitá (ASPIRH), realizou assessoria aos AAFIs da TI Kaxinawá do Rio Humaitá, no município de Feijó, entre março e abril de 2016. A atividade faz parte da formação do Agente Agroflorestal Indígena (AAFI) e tem o objetivo de fortalecer a produção agroflorestal das aldeias e a atuação dos AAFIs como prestador de assistência técnica (ATER) junto as comunidades.

Durante a assessoria, foram desenvolvidas atividades práticas de produção de mudas em viveiro, diagnóstico, manejo, enriquecimento e implantação de aproximadamente oito hectares de quintais e sistemas agroflorestais (SAFs), construção de horta orgânica e georreferenciamento das áreas. Para a realização das atividades foram disponibilizadas ferramentas que compõe o “kit agroflorestal”, mudas de espécies frutíferas e florestais, entre elas, sementes de cacau e cupuaçu, plântulas de buriti e açaí touceira, além de sementes de hortaliças de interesse das comunidades.

O AAFI Antônio Ferreira ressaltou a importância do acompanhamento dos plantios. “Através do diagnóstico é que a gente vai saber dos problemas que têm nas plantas. Por exemplo, tem planta que já tem mais de cinco anos e não está produzindo. Por que não está produzindo? Por que que não está crescendo? Para isso temos que observar de que habitat é cada tipo de planta. Então, é importante, além de ter uma aula teórica, fazer uma prática. É importante saber que o levantamento e o diagnóstico das plantas possibilitam uma produção de qualidade. Fazer o levantamento também é uma forma de ver como está o desenvolvimento dos plantios nas comunidades, vamos saber as quantidades, se está aumentando”.

Além da participação dos AAFIs na realização e reflexão sobre o trabalho desenvolvido, estiveram presentes ativamente as lideranças, professores, estudantes, mulheres e outras categorias profissionais que atuam nas aldeias. “É gratificante, estamos aqui implantando um novo SAF na aldeia Boa Vista. Estamos fazendo a sementeira e ficamos gratos pela participação da comunidade. É uma forma de a gente ter uma melhor alimentação e um desenvolvimento para nós. É um trabalho que não termina por aqui, a gente tem que estar cuidando sempre”, destacou o AAFI Auricélio Mateus.

As atividades realizadas durante a assessoria compõem as ações propostas no projeto “Cadeias de Valor em Terras Indígenas do Acre”, financiado pelo Fundo Amazônia/ BNDES. O fortalecimento da produção agroflorestal é um passo inicial para a organização e promoção da cadeia de valor desses produtos. As atividades foram acompanhadas por discussões sobre a segurança e a soberania alimentar, e o acesso às políticas públicas do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Estas ações, além de fazerem parte da formação dos AAFIs, estão integradas à gestão territorial e ambiental da terra indígena, com ênfase na produção sustentável para a soberania alimentar.

“A gente está muito feliz com a realização do trabalho aqui na aldeia. Aqui nós vamos plantar mais conhecimento e também apoiar mais o trabalho de gestão ambiental na aldeia. Neste trabalho é importante a participação de toda comunidade”, disse o professor e liderança João Nildo, da aldeia Boa Vista.

Os AAFIs atuam como mediadores da gestão ambiental e territorial de suas terras indígenas, trabalhando na produção, manejo e conservação dos recursos naturais, como também na proteção territorial. Ao final da assessoria foi organizada uma reunião sobre vigilância e monitoramento que contou com a participação dos vizinhos não-indígenas, moradores das margens do Rio Muru, no limite com a Terra Indígena Kaxinawá do Rio Humaitá.