O fortalecimento dos produtos Yawanawa

Agentes Agroflorestais da TI do Rio Gregório discutem estratégias para o desenvolvimento da cadeia de valor dos seus produtos agroflorestais

Com o objetivo de promover ações para a formação dos agentes agroflorestais indígenas (AAFIs) da Terra Indígena (TI) do Rio Gregório, a Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-Acre), responsável pela formação dos AAFIs, realizou em parceria com a Associação Sociocultural Yawanawa (ASCY) assessoria técnica às sete aldeias desta terra, durante o mês de abril de 2016.

Este trabalho é parte do projeto Cadeias de Valor em Terras Indígenas do Acre, financiado pelo Fundo Amazônia/ BNDES, que visa fortalecer a produção sustentável das comunidades indígenas do Rio Gregório, por meio da promoção da cadeia de valor dos seus produtos agroflorestais e da assistência técnica indígena. Trata-se de uma ação relevante à gestão territorial desta TI, com ênfase na soberania alimentar e na comercialização da merenda escolar regionalizada.

Durante a assessoria, lideranças, professores, artesãs e estudantes desenvolverem atividades no âmbito da formação dos AAFIs, como o diagnóstico dos quintais e demais áreas de produção presentes nas aldeias. A proposta é enriquecer as unidades de produção agroecológica, como também implantar novas áreas. Também ocorreram mutirões de plantio de mudas florestais e frutíferas, além da renovação de viveiros e sementeiras para a produção de mais espécies de interesse local. Em cada aldeia, foram construídas hortas orgânicas.

O trabalho do AAFI junto as comunidades é uma forma de promover a gestão territorial e ambiental das terras indígenas. É muto importante o apoio e participação das famílias, como destaca o professor Nani Yawanawa: “No lugar que moro hoje, sinto muita fartura, muita alegria das famílias em poder viver do que a natureza fornece. Mas hoje a gente não quer só olhar para a floresta, quer olhar para o terreiro também, porque se na natureza faltar, a gente pode buscar no terreiro. É a galinha, é a plantação. Cada aldeia, cada liderança tem que trabalhar com isso. E aí é que está inserido o papel do agroflorestal para animar! Ele não é um homem salvador da pátria, mas que está lá para orientar. E fica melhor quando a família e a comunidade estão juntas para empenhar”.

 A assessoria técnica é uma das modalidades desenvolvidas pela CPI-Acre na formação do agente agroflorestal. Permite que os assessores técnicos da instituição acompanhem de perto as atividades socioambientais desenvolvidas pelos AAFIs com as comunidades.

Nesta viagem de assessoria, houve também o apoio de dois agentes agroflorestais da TI Kaxinawá Igarapé do Caucho, possibilitando o intercâmbio de experiências em gestão ambiental desenvolvidas em seu território, outra modalidade de formação desenvolvida pela instituição na formação dos AFFIs.

Durante este intercâmbio Raimundo Ferreira Kaxinawá, AAFI da Aldeia 18 Praias, da TI Kaxinawá Igarapé do Caucho, disse ao povo Yawanawa da Terra Indígena Gregório: “O AAFI é uma forte liderança na sua aldeia, que precisa ter respeito e uma boa convivência com a comunidade, para trabalhar em parceria no manejo do lixo, vigilância e monitoramento da TI e mais outros acordos do Plano de Gestão. O Plano não existe para proibir os parentes e sim para ajudar todos da comunidade a manejar os nossos recursos naturais de forma sustentável.”