CPI-Acre realiza o XXIII Curso de Formação de AAFIs

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Foto: Dante Coppi

Hoje teve início o XXIII Curso de Formação de Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFIs), que ocorrerá até o dia 18 de agosto no Centro de Formação dos Povos da Floresta (CFPF), em Rio Branco – AC. Esta edição do curso conta com a participação de 30 AAFIs, representantes de 08 povos de 19 Terras Indígenas no Acre.  E conta com o apoio financeiro do Fundo Amazônia/ BNDES.

Foto: Josy Oliveira

No Acre, os Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFIs) são frutos de um processo educacional e formativo, fundamentado no conceito da autoria e interculturalidade. Essa formação é dada desde 1996 pelo Programa de Gestão Territorial e Ambiental da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-Acre). Desde então esses Agentes são os animadores da gestão territorial e ambiental, sensibilizam, estimulam as discussões e a busca de soluções para problemas socioambientais junto de suas comunidades.

O XXIII Curso foi desenhado para dar continuidade à formação de 24 AAFIs e iniciar a formação de 11 novos. Além dos cursos presenciais, faz parte da formação de AAFIs as oficinas itinerantes e as assessorias, que ocorrem em TIs, e ainda os intercâmbios.

Durante o curso presencial são implementados e manejados modelos demonstrativos no CFPF, esses modelos são baseados nos princípios da agroecologia, como também nos conhecimentos próprios dos povos indígenas. Tanto na teoria quanto nas práticas desenvolvidas durante a formação de AAFIs, são considerados os saberes e conhecimentos indígenas, as cosmovisões, os pensamentos e os rituais, que consistem nas relações do ser humano com a natureza, com os espíritos da floresta, e com os conhecimentos sobre os recursos naturais. Todo esse conjunto de conhecimentos em diálogo com os conhecimentos ocidentais, permeiam as atividades técnica-profissionais dos agentes agroflorestais.

Foto: Josy Oliveira

Na programação do XXIII Curso de Formação está previsto aulas de Horta Orgânica, Sistemas Agroflorestais, Arqueologia da Amazônia, Manejo de animais silvestres (quelonicultura, meliponicultura, sistemas agrosilvopastoris etc.), Artes e ofício, Ecologia Indígena, Cartografia Indígena, Línguas, Matemática, Fundamentos e diretrizes políticas da função de AAFI, entre outros temas importantes para fortalecer a atuação do AAFI.

Foto: Dante Coppi

Os Agentes Agroflorestais no desempenho de sua função desenvolve junto com as lideranças, professores, agentes de saúde e famílias indígenas o manejo dos recursos florestais, a produção agroecológica, a gestão dos resíduos sólidos, a proteção territorial, a conservação de corpos de água, a organização comunitária, a valorização cultural e a educação ambiental nas escolas indígenas e no entorno, todas essas ações tem contribuído para as Terras Indígenas desempenharem papel fundamental na contenção do avanço do desmatamento e degradação ambiental na Amazônia, além de ser extremamente relevante para a manutenção e ampliação de serviços ambientais.

A gestão dos territórios indígenas beneficia internamente as comunidades que nele vivem, pois além de conservarem os recursos naturais essenciais e inerentes a vida das populações indígenas que vivem na floresta, protege a Terra Indígena, valoriza e fortalece a cultura e garante a sustentabilidade para as futuras gerações; contribui também para a manutenção de funções ecossistêmicas, e estas por sua vez, contribuem para a regulação de vida no Planeta. A formação dos AAFIs e sua atuação na gestão territorial e ambiental de suas terras, beneficiam a todos, de dentro e de fora da Terra Indígena.

 

 

 

 

VIAAna Luiza Melgaço
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