Somos PRÓ-ÍNDIO

Dizemos NÃO às tentativas de enfraquecer o movimento indígena no Acre

0
1525

A Comissão Pró Índio do Acre (CPI-Acre) compartilha a carta “Porque o CIMI desrespeita a Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas – AMAAIAC” e vem, não somente se solidarizar com a AMAAIAC, mas também informar que recorrentemente vem sofrendo acusações do CIMI Regional Amazônia Ocidental.

Baseado em inverdades, calúnia e difamação, um membro do CIMI desta regional tem agredido a CPI-Acre nos últimos anos conforme pode ser comprovado em algumas mídias. A CPI-Acre exatamente porque respeita “os limites da natural divergência” e entende que a liberdade de expressão é um dos fundamentais valores humanos, jamais se manifestou para atacá-lo. No entanto, esta prática do CIMI extrapolou os limites da tolerância, quando no dia 17/10/2017 fomos vítima de mais uma calúnia no texto “Mineração: qual o preço do nosso futuro,” postado no site do CIMI.

Decidimos nos defender desta violência e vamos levar a situação às instâncias institucionais, políticas e jurídicas, para garantir a tranquilidade do trabalho que realizamos e assegurar a civilidade no indigenismo acreano.

________________________________________________________________________

PORQUE O CIMI DESRESPEITA A ASSOCIAÇÃO DO MOVIMENTO DOS AGENTES AGROFLORESTAIS INDÍGENAS DO ACRE – AMAAIAC

A Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre –
AMAAIAC vem informar à sociedade do Acre e do mundo inteiro o que o Conselho
Indigenista Missionário (CIMI – Acre) vem fazendo com nossa organização
ultimamente. O CIMI tem realizado reuniões com lideranças indígenas, no caso da
reunião na cidade de Feijó em 27 e 28 de setembro, e um seminário sobre mineração
na cidade de Cruzeiro do Sul no dia 9 de outubro. Segundo informações, estes
encontros são para avaliar as políticas públicas que impactam as terras indígenas, os
grandes empreendimentos e a insegurança dos nossos direitos, mas temos visto que
são também para desrespeitar a AMAAIAC e todo o trabalho dos Agentes
Agroflorestais Indígenas (AAFIs).
Viemos informar que estávamos presentes na reunião de Cruzeiro do Sul no dia 9
de outubro e vimos claramente que o CIMI Acre agora resolveu andar nos municípios
querendo juntar os indígenas para desqualificar a AMAAIAC; jogando índios contra os
índios e também não escrevendo a verdade quando publica as notícias em blogs e
sites. A primeira coisa que esclarecemos é que o membro do CIMI, o Sr. Lindomar
Padilha, assina uma nota sobre o seminário em Cruzeiro do Sul, confundindo indígenas
com indigenistas. O mesmo não estava presente na reunião em Cruzeiro do Sul, então
afirmar que fomos lá tumultuar e denegrir a imagem de integrantes do CIMI e afirmar
que somos ligados a CPI-Acre já é um ato de má fé.
No seminário em Cruzeiro do Sul a AMAAIAC estava representada pelos seus
coordenadores Josias Pereira Kaxinawá e Edilson Rosa Katukina, pelo vice-presidente
José Marcondes Puyanawa e a tesoureira Francisca Arara. Estavam também as
lideranças do Juruá Francisco Piyãko, Lucila Nawa, José Luiz Puyanawa, e uma turma de
estudantes e alguns professores não indígenas do IFAC de Cruzeiro do Sul.
O que nós falamos neste seminário foi que estávamos ali para dizer que somos
uma categoria de AAFIs, que não vende a floresta, que acessa recursos públicos porque
a nossa Associação está devidamente qualificada para isso; que somos contra os
projetos que estão ameaçando o Juruá, como a exploração de petróleo e gás, retirada
de madeira, a abertura de estradas e outros empreendimentos que estão sendo
realizados sem consulta livre, prévia e informada e que vão detonar nossas vidas.
Informamos que temos sido atacados pelo CIMI, durante as reuniões que esta
instituição realiza; que já chamamos o CIMI para nossas reuniões, mas eles nunca
participaram e se recusam a conversar com a gente, mas que ficam publicando textos
falsos no Blog do Padilha, sem saber do nosso trabalho, fazendo acusações seríssimas
contra a AMAAIAC, dizendo que os pequenos apoios e projetos que conseguimos para
realizar os trabalhos nas terras indígenas, são para proibir as pessoas de viver livres em
suas terras indígenas.
Afirmamos que já é tão difícil às associações indígenas acessarem recursos,
devido a burocracia dos editais, o tempo que os governos fazem gestão administrativa,
que sempre é muito demorado; difícil pelo preconceito que vivemos e ainda vem
pessoas tipo as do CIMI Acre achar que os indígenas não precisam acessar recursos
financeiros para realizar nossas atividades. Isso para nós é comportamento
preconceituoso. O que o CIMI está pensando? Para nós esse indigenismo já é
ultrapassado. Ninguém é nosso dono não.
Vamos explicar mais um pouco o que nos levou para o seminário em Cruzeiro do
Sul: fomos em resposta às baixarias que o CIMI solta agressivamente contra a
AMAAIAC e outras associações indígenas. Fomos para ouvir o CIMI nos atacar, como
fez na reunião de Feijó, só que agora na frente da diretoria da AMAAIAC. Fomos para
esclarecer ponto a ponto. Mas como as pessoas do CIMI que nos atacam não estavam
em Cruzeiro do Sul, mandamos o recado pelos outros funcionários do CIMI que
estavam presente.
Entre tantas acusações falsas, saiu recentemente da reunião que o CIMI organizou
em Feijó, a solicitação de esclarecimentos de prestação de contas do recurso que
AMAAIAC acessa em nomes dos indígenas, insinuando que somos desonestos.
Esclarecemos que AMAAIAC não acessa recursos em nome dos indígenas. A AMAAIAC
apresenta projetos para atividades em algumas terras indígenas e isso é feito de
acordo com os AAFIs das terras contempladas, com nossa diretoria e os caciques das
aldeias. A AMAAIAC presta contas dos recursos para os AAFIs em cada reunião
extraordinária e assembléia, e para os doadores. Nós não vamos prestar contas nem
para o CIMI, nem para quem joga esse jogo de desqualificar a nossa luta.
Se alguém faz projetos e recebe recursos em nome dos povos indígenas não é a
AMAAIAC. Nós somos uma Associação de categoria e define conjuntamente com os
associados sobre os projetos. Perguntamos se o CIMI alguma vez já prestou contas,
dos recursos que recebe, para os povos indígenas. O CIMI questiona os nossos
projetos, mas esquece de fazer uma avaliação de suas atividades e não apresenta ideias
de como podemos fazer atividades sem recursos de projetos.
O CIMI atacou a AMAAIAC quando disse que nossa representante viajou para a
Califórnia não representa os povos indígenas e não repassa informação para as
comunidades. Esclarecemos que as viagens que fazemos são aprovadas pela diretoria e
que nós representamos a categoria de Agentes Agroflorestais Indígenas. Isso aqui é
uma batalha política e institucional. Não vamos aceitar que ataquem nossos parentes
que são da nossa confiança para enfraquecer nossa luta. A bolsa que os AAFIs recebem
é uma conquista; nossa batalha é para que deixe de ser bolsa benefício e passe a ser
pagamento efetivo pelo trabalho com gestão territorial e ambiental.
A AMAAIAC viaja para divulgar o seu trabalho e para buscar apoio no Acre, no
Brasil e no mundo. Viajamos a trabalho e vamos para onde sabemos que vamos ter
bons resultados. É esse o tipo de viagem que nos interessa. Buscar reconhecimento
pelo lindo trabalho que fazemos no estado do Acre.
Já fomos atacados várias vezes pelo CIMI Acre que vive dizendo que AMAAIAC
acessa recursos do Projeto REM para vender a floretas e escravizar os indígenas junto
com o Governo do Acre; que não podemos caçar, nem pescar, nem tirar palha, madeira
para nossas construções, nem fazer roçados, nem abrir aldeias novas. Mais uma vez
falamos que isso não é verdade. Basta ver quantas aldeias, roçados aumentaram no
Acre nos últimos tempos.
Já saímos do Tempo do Cativeiro e não é o CIMI, com suas acusações de má fé, que
vai nos levar de volta. A luta da AMAAIAC vem desde 2002. Temos um trabalho forte,
temos projetos aprovados, temos formação profissional dos AAFIs, temos publicações,
temos sido destaque local, nacional e internacional. Já enfrentamos inimigos, batalhas,
governos e desgovernos. Não vamos arredar um pé do que defendemos e acreditamos
na Política de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas no Acre. O CIMI nos
desrespeita porque não acredita nessa luta, porque quer tutela, porque não quer a
autonomia dos povos indígenas na prática.

Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre – AMAAIAC

COMPARTILHAR