Nos dias 26 e 27 de março, a aldeia São Vicente, na Terra Indígena (TI) Kaxinawá do Rio Humaitá sediou um Intercâmbio de Saberes, reunindo 196 participantes, entre lideranças, professores, Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFIs) e 126 alunos das comunidades do Rio Muru e Rio Iboacu, de 13 escolas do entorno da TI. O objetivo foi fortalecer a aliança entre os Huni Kuῖ e seus vizinhos, promovendo um espaço de troca, aprendizado e valorização dos saberes tradicionais.
Participaram alunos das escolas estaduais Joaquim Nabuco Anexo I e III, além das escolas do Seringal Teixeira, Repouso e Itaparica. Também estiveram presentes estudantes das escolas indígenas das aldeias São Vicente, Novo Futuro, São Francisco e Vigilante.
No intercâmbio, foram compartilhadas experiências sobre práticas tradicionais de plantio e agrofloresta, além de debates sobre a importância da floresta para a manutenção da vida no território.

Agente Agroflorestal Edvaldo Mateus Huni Kuĩ, da aldeia São Vicente, TI Kaxinawá do Rio Humitá explica sobre agrofloresta. Foto: Jocemir Huni Kuĩ,
Uma das principais atividades do encontro foi o mutirão de plantio de mudas frutíferas nativas, promovendo a recomposição da área florestal do entorno da TI Kaxinawá do Rio Humaitá. Ao todo, foram plantadas 402 mudas de espécies como açaí, cupuaçu, ingá, buriti, cacau, manga e caju. Cada aluno também recebeu mudas para levar às suas comunidades, ampliando a produção de frutas, garantindo a soberania alimentar das famílias e contribuindo para a conservação ambiental. Além do plantio, os participantes discutiram a importância do descarte adequado de resíduos orgânicos e inorgânicos.
Para o Agente Agroflorestal Edvaldo Mateus Huni Kuĩ, da aldeia São Vicente, essa troca fortaleceu o trabalho dos AAFIs e a educação ambiental: “Foi um trabalho muito importante. Trouxemos os alunos para fortalecer nosso conhecimento e nossa experiência. Além do plantio, cada aluno levou frutíferas como cupuaçu, cacau, laranja e açaí, garantindo a continuidade desse trabalho.”
A agrofloresta é uma das principais áreas de formação e atuação dos AAFIs na gestão territorial e ambiental das TIs. Além dos plantios, esses agentes acompanham os Sistemas Agroflorestais (SAFs) e os quintais agroflorestais das famílias em suas comunidades, incentivando práticas sustentáveis que garantam a segurança alimentar a longo prazo.
O intercâmbio permitiu uma troca de conhecimentos entre indígenas e não indígenas, promovendo a valorização do saber ancestral e fortalecendo o protagonismo das comunidades na gestão ambiental.
A liderança da aldeia São Vicente, Jocemir Huni Kuĩ, destacou o impacto positivo do intercâmbio: “Muita gratidão à CPI-Acre por ter apoiado esse primeiro intercâmbio cultural. Foi uma troca de saberes muito rica entre indígenas e não indígenas. Os Nawa (não indígenas) gostaram muito.”
A juventude também se envolveu ativamente. Txatxiane Huni Kuῖ, aluna do 2º ano e filha da liderança Jocemir, expressou sua alegria com a experiência: “Eu gostei muito de plantar e quero continuar plantando para poder comer.”
O encontro entre gerações foi outro ponto forte do intercâmbio, unindo esforços pela proteção da floresta, pela alimentação saudável e pelo respeito aos conhecimentos indígenas e das comunidades tradicionais vizinhas. O evento demonstrou, na prática, como a educação pode fortalecer os plantios agroflorestais, a gestão territorial e ambiental e as boas relações entre indígenas e seus vizinhos.
O intercâmbio foi realizado em parceria com a CPI-Acre como uma das atividades do Projeto Aliança entre Indígenas e Extrativistas do Acre (consórcio entre CPI-Acre, SOS Amazônia e Instituto Catitu), com financiamento da Rainforest Foundation Norway (RFN). (Comunicação CPI-Acre)