foto: Haroldo Palo Jr.

Apoiando os Povos Indígenas no Acre

A Comissão Pró-Indígenas do Acre (CPI-Acre) é uma organização da sociedade civil brasileira fundada em 1979, sem fins lucrativos, com sede em Rio Branco, capital do estado do Acre. Sua missão é apoiar os povos indígenas que vivem no Acre em suas lutas pela conquista e o exercício de seus direitos coletivos – territoriais, ambientais, linguísticos, socioculturais – por meio de ações que articulem a gestão territorial e ambiental das terras indígenas, a educação intercultural e bilíngue e as políticas públicas.

Na ocasião de sua fundação, o Estatuto da CPI-Acre propunha os seguintes objetivos: “Contribuir para uma nova consciência pública a respeito das minorias étnicas do Acre; 2) Oferecer à causa indígena um serviço social na defesa de seu patrimônio (principalmente no direito inalienável da posse permanente de suas terras, o usufruto exclusivo das riquezas naturais e todas as utilidades nelas existente); 3) Reconhecer, respeitar e afirmar a autonomia cultural e o direito à autodeterminação dos povos indígenas…” (CPI-Acre, 1979).

A tríade conceitual – fortalecimento, autonomia e protagonismo -, permeia a prática organizacional da CPI-Acre como princípio norteador, compondo sua cultura e identidade. A autoria é um conceito chave deste trabalho. Ao longo dos anos, o princípio da autoria foi se traduzindo em metodologias pedagógicas diversas, o que significa que todas as ações de formação e assessoria estão orientadas para a promoção e emergência dos sujeitos e coletividades indígenas, antes silenciados pelo histórico de relações com a sociedade nacional.

História

Pertencemos a uma geração de ONGs surgida da atmosfera densa da pré-anistia, de uma vontade de democratização e transformação do país. Naquele tempo, quando os povos indígenas não eram fonte fácil de notícia, um grupo de acreanos, liderados por um antropólogo, filhos de seringueiros, jornalistas, artistas, entre outros, ajudaram a construir a ponte de uma certa passagem. Desde a fundação da Comissão Pró-Indígenas do Acre em 1979, os povos indígenas no Acre vêm conquistando espaços nas cidades, no país e no mundo. Fizeram-se visíveis e passaram a ser reconhecidos como os primeiros habitantes desta parte escondida da floresta. Lutaram para garantir terra, saúde, educação e ao mesmo tempo fortaleceram suas línguas e culturas. Quiseram preservar a Amazônia, anos antes que os novos ambientalistas lutassem pela conservação. Passaram a falar de seus problemas e a construir demandas junto à sociedade e aos governos. A CPI-Acre funcionou como um caixa de ressonância desses sentimentos e aspirações, ajudando a transformá-los em direitos e conquistas legais.