A Comissão Pró-Indígenas do Acre (CPI-Acre) manifesta seu profundo pesar pelo falecimento do indigenista e sertanista Antônio Luiz Batista de Macêdo, nosso querido Txai Macedo, ocorrido em Cruzeiro do Sul, hoje, dia 15 de fevereiro.
Txai Macedo foi um dos fundadores da CPI-Acre no final dos anos 1970 e, junto a outros companheiros e companheiras como Chico Mendes, dedicou sua vida à luta pelos direitos dos povos indígenas, dos seringueiros e das comunidades tradicionais do Acre. Com Txai Macêdo, sonhamos, acreditamos e transformamos sonhos em realidade.
Sua trajetória foi marcada pelo compromisso e pela defesa inegociável do direito à terra, à vida digna e à floresta em pé. Décadas atrás, em tempos de muitos conflitos, ameaças e injustiças, atuou como ponte entre povos indígenas, seringueiros e comunidades tradicionais, sendo um dos idealizadores da Aliança dos Povos da Floresta. Fortaleceu lutas históricas que garantiram conquistas fundamentais para o Acre, como a criação da Reserva Extrativista Alto Juruá — a primeira do Brasil — e de outros territórios protegidos, além do reconhecimento dos modos de vida da floresta.
Com pioneirismo, alegria e muita coragem, foi uma liderança que compreendeu, antes de muitos, que proteger os povos da floresta é proteger a própria floresta, e que justiça social e justiça ambiental caminham juntas. Sua luta não foi apenas política, mas também humana, construída no diálogo, no respeito às culturas, na escuta atenta e na presença constante junto às comunidades.
Mesmo após sua partida, sua história seguirá viva nas aldeias das terras indígenas, nas comunidades das reservas extrativistas, nas organizações fortalecidas e nos corações e pensamentos de todos aqueles que seguem acreditando que é possível viver da floresta sem destruí-la, e que os direitos conquistados precisam ser permanentemente defendidos. Seu legado permanecerá nas novas gerações de indigenistas e defensores ambientais, e seguirá presente na memória e na luta dos povos indígenas e comunidades tradicionais do Acre.
Neste momento de dor, nos solidarizamos com os familiares, amigos(as), companheiros(as) de caminhada e com todas as aldeias e comunidades das florestas do Acre, desejando força e serenidade.
Gratidão por tanto, Txai Macêdo. Siga seu caminho na luz, no amor e na paz. Seja cuidado agora pela Rainha da Floresta e por todos os espíritos de luz em que sempre acreditou nesta vida.
Rio Branco, 15 de fevereiro de 2026
